Eu nunca fiz a contagem, mas já teria perdido as contas de quantas vezes ouvi e fiz essa pergunta. É uma pergunta idiota, confesso. Mas acredito que perguntas idiotas e conversas difíceis precisam acontecer no início dos projetos porque ninguém tem paciência para responder questões básicas quando um documento está na versão 5.
Medicamentos podem ter nomes simples, fáceis de pronunciar e escrever ou nomes que parecem simples, mas causam erros que podem ser propagados diversas peças de comunicação de uma mesma campanha.
Isso acontece porque nomes de produtos farmacêuticos envolvem palavras estranhas ao nosso vocabulário e o kick-off para o enxoval de peças sobre “Depakote” pode se transformar no kick-off do “Depacote”, “Decapote”, “Depakot” ou o “Depacot”.
Quando perguntas idiotas são evitadas no início do projeto, erros bobos que poderiam ser facilmente resolvidos podem ser propagados em larga escala, prejudicando a operação de conteúdo com refações ou revisões excessivas.
Preciso confirmar o nome do medicamento?
Geralmente existem três cenários em que você pode ter dúvidas sobre o nome de um medicamento e confirmar a informação pode ser uma boa prática para adotar quando estiver começando projetos com produtos que nunca trabalhou.
A confirmação do nome pode ser feita por pesquisa ou por validação com os responsáveis do produto, descubra como agir em cada um dos três cenários.
Primeiro cenário: Pós-lançamento.
O cenário mais comum acontece quando você precisa realizar a comunicação de produtos já lançados no mercado. Nesses casos, você pode pesquisar o nome/marca no Google, no site da empresa ou no bulário da ANVISA para confirmar a grafia correta.
Pedir uma informação tão básica nesse cenário pode gerar a percepção de que você é uma pessoa preguiçosa. Pesquisar é simples, rápido e ninguém vai reclamar de você depois da reunião.
Segundo Cenário: Pré-lançamento.
Quando os produtos estão na etapa de pré-lançamento, o nome comercial geralmente ainda está em definição. Os medicamentos lançados no Brasil costumam estar previamente aprovados pela FDA ou pela EMA e geralmente possuem nomes comerciais estrangeiros previamente aprovados.
Esses nomes podem ser mantidos, adaptados ou descartados dependendo das decisões de negócio de cada companhia e muitas alterações costumam acontecer nesse cenário. Não se desespere se solicitarem alteração do nome, do símbolo ou da logo porque a produção peças de comunicação geralmente são iniciadas antes da aprovação do nome comercial pelo INPI ou mesmo antes da definição do nome regional pelos responsáveis em LATAM/Brasil.
Um nome de marcação pode ser utilizado nesse cenário para facilitar a substituição para o nome comercial correto antes da finalização das peças e após todas as devidas aprovações. O mais importante aqui é considerar que erros farão parte do processo, mas o alinhamento entre os responsáveis do projeto é fundamental para garantir a consistência da operação e a redução do risco para o negócio.
Dois exemplos desse cenário:
- O paracetamol da Johnson e Johnson é chamado de “Tylenol” tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos;
- O dienogeste da Bayer é chamado de “Alurenne” enquanto na Europa foi batizado como “Visanne“.
Não há alteração de grafia no primeiro exemplo, mas no segundo ela ocorre. Essa mudança envolve a tomada de decisão de diferentes pessoas a frente do produto no cenário global e regional. Como o mercado brasileiro / LATAM se apoia em peças previamente desenvolvidas para o mercado global e as decisões geralmente são Top-Down, documentar e formalizar esses direcionais ajuda a reduzir a propagação de erros e melhora a capacidade do time em detectar inconsistências durante o desenvolvimento das peças.
É por esse motivo que a confirmação formal do nome é recomendada no início de projetos que envolvem a comunicação de medicamentos em fase de pré-lançamento. Com isso, todos os times ficam cientes que logos, nomes e símbolos de marca registrada podem ser alterados e precisam ser pontos de atenção durante o desenvolvimento do projeto.
Terceiro Cenário: Fase de pesquisa clínica.
Esse é o mais simples. Produtos em fase experimental geralmente ainda não possuem nome comercial e os materiais desenvolvidos são de cunho informativo. Nesses casos, utiliza-se o nome da molécula ou uma abreviação.
Medicamentos já lançados podem estar em fase de pesquisa clínica para obtenção de registro de novas indicações de tratamento. Nesses casos, enquandra-se como pós-lançamento.
Elementos que compõem o nome de um medicamento
O nome de um medicamento é composto por três elementos que devem ser avaliados para evitar que horas de trabalho sejam perdidas em revisões e refações. Sendo eles:
- Nome comercial do medicamento;
- Denominação Comum Brasileira (DCB);
- Símbolo de marca registrada (® ou ™)
Nome comercial do medicamento
A decisão sobre como o nome do medicamento deve ser aplicado precisa ser tomada pela pessoa ou time responsável pelo produto (aka. cliente), mas nem sempre isso acontece. Idealmente, as regras de aplicação devem ser definidas por um guia de marca (brandbook) ou por algum acordo documentado para reduzir as chances de inconsistências como:
- NOME COMERCIAL
- NOME COmercial
- nome comercial
- Nome Comercial
- Nome comercial
Denominação Comum Brasileira (DCB)
A DCB é uma nomenclatura de insumos farmacêuticos definidos pela farmacopeia brasileira. A Anvisa atualiza as DCBs periodicamente através da Lista consolidada. Os nomes catalogados são de domínio público, ou seja, ninguém pode realizar o registro propriedade intelectual de uma DCB.
Na propaganda farmacêutica, as DCBs são escritas em minúsculo e aparecem abaixo do nome comercial em logos ou entre parênteses quando aplicadas em textos. Exemplo:
- NOME COMERCIAL (denominação comum brasileira)
Símbolo de marca registrada
Está relacionado ao registro de propriedade intelectual. ® é utilizado quando a marca já está registrada no INPI e ™ costuma ser aplicado quando o registro foi solicitado, mas ainda está em aprovação.
Em uma frase:
O modo mais certeiro de aplicar o nome de um medicamento em peças de comunicação farmacêutica é: Nome Comercial® (denominação comum brasileira).